quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

um olhar...

...sobre a nossa sociedade. Isto é um desabafo após muitos

- Aproveita enquanto podes!

que ouço quando venho de férias de um destino longíquo, quando digo para onde vou de passagem de ano, quando digo que acordo às 10h (e eu não sou dorminhoco...), quando digo que fui ao cinema... Mas será que a vida destas pessoas acaba no momento que nova vida é trazida a este mundo, passando a viver na penumbra? Que sentido faz isto? Será que os pais como indivíduos são obrigados a ceder a sua existência em prol de um novo ser? Isto está a fazer-me muita confusão na cabeça... Às vezes parece que os já pais querem criar barreiras à entrada de novos pais, porque tudo o que fazem é desmoralizar. Depois, é claro que corrigem

- Mas o balanço é positivo!

E aquilo soa forçado, braços em baixo, rouco. Será falta de convicção ou a eterna insatisfação a vir ao de cima?

11 comentários:

  1. Não percebi, mas o assunto interessa-me. Explicas? :)

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  2. Ando a ler Lobo Antunes e estou a ser muito influenciado pela forma dele escrever, com meias palavras...lol

    Mas basicamente é a questão de pessoas q já tiveram filhos estarem sempre a dizer para aproveitar enquanto podes, porque depois tudo vai mudar...

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  3. Lobo Antunes é fantástico, o meu escritor português preferido. E as entrevistas dele, quando bem entrevistado e quando se gera empatia com o entrevistador, são muito boas. Na semana passada vi-o na Sic Notícias entrevistado pelo Mário Crespo. É de uma simplicidade belíssima, mas ao mesmo tempo uma pessoa complexa. O que andas a ler, crónicas ou romance?
    Quanto ao outro tema, também nunca percebi o prenúncio da vida que se acaba depois dos filhos. A mim soa-me a uma desculpa que as pessoas arranjam para si próprias: muito repetida, para elas e para os outros, torna-se verdade e talvez lhes diminuia a culpa por deixarem de ter tido vida quando outra vida surgiu. O pior vai ser quando os filhos começarem a seguir a sua vida, vão sentir-se sozinhos e perdidos.

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  4. Ter filhos está instituído na nossa sociedade como algo que se tem de fazer antes de morrer, e de preferência antes dos 30 anos. Apesar de tudo, e de novas mentalidades, existe (infelizmente, do meu ponto de vista) muita gente que não pondera sequer se quer ou não ter filhos.

    Tem-se namorado há uns tempos (ou então o melhor é "apanhar" o primeiro a jeito antes dos 30), casa-se ou vai-se viver para a mesma casa, e pouco tempo depois a família tem de ser alargada, apenas porque tem de ser.

    Mas porquê?

    Quanto ao aproveitar "enquanto podes" é uma expressão que me perturba... Então é não vai ser bom acordar com o puto às 7h da manhã a pedir para ir ao jardim brincar?!

    Cada coisa na sua hora, é certo, mas sempre com vontade de a fazer.

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  5. A descoberta de ALA está a ser das melhores coisas que me está a acontecer dos últimos tempos, comparável à descoberta do Nanni. Coisas maravilhosas de 2007!!! Já li um de crónicas e estou agora a ler "Ontem não te vi em Babilónia".

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  6. Quanto aos filhos faz-me muita confusão usar os filhos como desculpa para não se fazer coisas, porque no fundo acho que é isso que acontece. E deixa-se estar num estado de energia mínima, no qual os dias passam e a rotina toma conta de tudo. A disposição para fazer um esforço (que é necessário) para fugir à rotina não existe e passam anos a suspirar por ver os outros a aproveitar... Sad, but true. E depois há aquele traço português de eterna insatisfação e saudade...

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  7. Há que ter consciência que após ter-se um filho a vida muda. Mas porque há-de mudar para pior? Se assim se considera ser, então por que ter filhos?

    Para mim é simples... ou se sente que vai ser óptimo "mudar de vida", ou então o melhor é não ter filhos.

    Não vai ser bom acordar cedo?
    Não vai ser bom ir à eurodisney?
    Não vai ser bom sentir que seremos os protectore máximos do piralho?
    Não vai ser bom ver os dois irmãos a serem os melhores amigos?

    Não os quero para já, mas acho que depois de ter filhos a vida vai ter uma nova fase igual ou melhor que a que estou a viver neste momento! :)

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  8. Caro Alex,
    Nunca é tarde para apreciar as coisas belas da vida. A.Lobo Antunes e Nanni Moretti sao duas coisas belíssimas, foi um 2007 em cheio! O pai do ALA, qdo lhe perguntaram o que gostava que os 6 filhos herdassem, ele disse: "O amor das coisas belas."

    Quanto aos filhos e como diz a Filipa (olá Filipa!), as pessoas "metem na cabeça" que há coisas que têm que se fazer porque sim. Por causa da tradição. Por causa dos pais. Por causa dos outros. Porque é assim. Porque é "normal". E os filhos são uma delas. Não se pensa, tem-se e às vezes mais valia que não os tivessem tido. Acredito que há pessoas que não deviam ter tido pq se vê que não usufruem, não têm prazer em te-los, tudo é um fardo. E mesmo para os outros, ha que saber viver a vida de modo diferente e nao deixar-se levar, baixar os braços e suspirar "Ai se eu pudesse... Aproveita tu enquanto podes..." :-(

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  9. Eu sou de opinião que a vida (ou pelo menos a minha) não faz sentido, ou antes, não está completa, sem passar pela experiência de ter filhos, de fazer pessoas a partir de nós próprios, de os ver crescer, e de sentir aquele tipo de amor diferente de todos os outros.
    E cá para mim, ser mãe (ou pai) não vai impedir (espero) que se aproveite a vida ao máximo por duas razões: estar com os filhos deve tornar-se uma experiência tão boa como... sei lá, comer um bom gelado vá... e depois podemos sempre contar com os nossos pais, irmãos, irmãs, amigos para ficarem com as crianças quando precisarmos de um tempo só p nós (ou p a rambóia)...
    É claro que depois há aquelas pessoas a meu ver muito estranhas que não gostam nem acham a mínima graça a crianças...
    ALEX, cunhadinho, estou aqui para fazer, de bom grado, de babysitter dos meus sobrinhos!

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  10. Outra coisa...
    O que faz falta a portugal (e de um modo geral a toda a VELHA europa) são crianças!
    Quem é que vai pagar a nossa reforma se não houver uma grande população jovem a trabalhar, produzir, render?

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