Como não leio jornais de fim de semana, tenho apenas que agradecer à Pastoral Portuguesa (um blog que qualquer blogger que se preze conhece) por ter-me feito chegar esta pérola que transcrevo abaixo.
«Que dinheiro teria disponível para contratação de jogadores para a próxima época?
Não sei, mas não estou muito preocupado. É um orçamento que será feito por mim. Hei-de saber arranjar um esquema para saber montar... e se não souber, saberão outras pessoas por mim. Há esquemas de engenharia financeira para montar uma equipa competitiva.»
(Dias Ferreira, entrevista ao SOL, 11/03/2011)
E fez-me lembrar aquela crónica do Miguel Esteves Cardoso no seu "A Causa das Coisas". Não consegui encontrar o texto completo da crónica como queria, mas prometo que um dia quando tiver tempo e se me lembrar venho aqui escrevê-lo na sua totalidade. Vamos lá, um excerto então apenas de "Arranjar".
"Em Portugal, como todos sabem, é muito raro conseguir seja o que for. Em contrapartida tudo se arranja. O arranjar hoje é a versão portuguesa do conseguir. É verdade que “Quem espera sempre alcança”, mas como ninguém está para esperar, em vez de alcançar o que se quer, arranja-se outra coisa qualquer.
No fundo é talvez por não se terem as coisas que elas se têm de arranjar. Não se tem tempo, mas arranja-se. Já não há bilhetes, mas conhece-se alguém que os arranja. Ninguém tem dinheiro mas vai-se arranjando para o tabaco.
O próprio sistema político, económico, cultural, social estimula uma atitude para com o cidadão que se traduz pela expressão ”arranjem-se como puderem”. E o cidadão lá se vai arranjando. O mais das vezes este apelo constante ao improviso, à cunha e ao desenrascanço leva aos piores resultados. A continuar assim, o país está bem arranjado (…)”
Portugal no seu melhor.
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quarta-feira, 16 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
um olhar...
Acabei de ver esta notícia no Público:
Os campos de golfe deverão voltar a ser tributados à taxa reduzida de IVA, de seis por cento, em vez dos 23 por cento que estavam a ser aplicados desde o início do ano, no quadro do Orçamento do Estado (OE) para 2011, revelou o Negócios.
E não pude deixar de vir para aqui partilhar o meu estarrecimento para com a mesma. Que sentido económico é que isto faz? Porque é que o golfe é privilegiado face a todos os outros desportos que se praticam em Portugal? Até me deu curiosidade e fui descobrir qual o número de praticantes desse desporto no nosso país - 18 mil. Admito que é um número superior ao que pensava inicialmente, e serve para fundamentar a minha teoria que ainda há mesmo muito dinheiro neste país, está é cada vez mais na mãos de uns poucos. Enquanto países como o Brasil usam o seu crescimento para aumentar a classe média, aqui em Portugal faz-se o processo inverso, e a meu ver há uma vontade clara de direccionar o nosso país para um local de muito ricos e muito pobres. O fosso aumenta a cada dia e isto não é uma questão de partidos, é mesmo a forma de estar de quem governa - cedendo aos lobbies dos poderosos. Sinceramente, política mais influenciada por lobbies que esta é impossível. Segundo a própria notícia, "O Governo elegeu o turismo/golfe como uma das prioridades da estratégia de recuperação da economia nacional". Cheira-me que o governo já está mesmo a ver que não se aguenta muito mais no poder e como tal já está em modo assegurar jobs for the boys no BES. Incrível.
quinta-feira, 10 de março de 2011
um olhar, um sorriso, uma música no ar...
Tinha que ser. Tinha que rever este filme neste momento da minha vida. Tudo explicado no vídeo abaixo, para quem percebe italiano. Uma maravilha de filme.
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
um olhar...
O meu blog, o meu querido blog, largado, abandonado, perdido no tempo, sem rumo. Não sei o que lhe fazer. O PREC em que se tornou a minha vida não me tem permitido ter a tranquilidade de espírito necessária para aqui vir, pensar, escrever, com a devida dedicação. Não me apetece simplesmente colocar um ponto final, mas também assim deixá-lo definhar, sem alimento, custa-me bastante. Vamos fazer assim, estabelecer um prazo. Isto tem de animar até ao início da Primavera. Se assim não for, no último dia do Inverno do ano da santa graça de 2011 coloco um ponto final no blog. Prometo tentar.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
um olhar...
Algum evento cósmico de magnitude bastante elevada deverá ter ocorrido hoje pela hora do almoço. Senão vejamos - fui almoçar ao Corte Inglês com 5 amigos da Universidade, um dos quais vive em Barcelona, pelo que este quórum reúne-se no máximo uma vez por ano. Isto de si já mostra as particularidades do evento. Mas como se não bastasse, passo a listar as pessoas conhecidas que vi no mesmo sítio, na mesma meia-hora que lá estive:
- um colega meu do tempo da escola preparatória;
- dois tipos que também frequentaram a mesma Universidade na altura mas que só conheço de vista;
- um casal de colegas da mesma turma da Universidade que entretanto se casaram;
- uma rapariga que era da minha rua dos tempos da Portela.
Se somarmos a isto o facto de ter encontrado em Florianópolis, numa praia onde estive cerca de 1 hora, um rapaz que foi colega do meu irmão desde pequeno e que também morava na nossa rua na Portela está tudo dito. Não posso afirmar com toda a certeza, mas deve haver mesmo algo que nos liga como seres humanos. E não estou a falar de deuses ou afins. Apenas química/física.
um olhar...
Vou mudar de emprego. Contra a carrada de pessoas que dizem que isto está mau e péssimo e me vêm com aqueles discursos todos pessimistas, e após ter percebido que não havia futuro no sítio onde estou actualmente coloquei-me à procura e agora encontrei outra coisa e como tal vou mudar de emprego. Mas o motivo que me leva a escrever este post nao é precisamente este, apesar de ser consequência directa do mesmo.
(get to the point, god damn it!)
Ontem comecei a arrumar as poucas coisas que acumulei por aqui em 9 anos e meio de trabalho. Não sou pessoa de guardar muitas coisas, até porque hoje em dia fica quase toda a informação arquivada em formato electrónico nos disco rígido. Mesmo assim fui acumulando uns cadernos e mais algumas coisas que nunca deitei fora e que agora enfrentam a pena de morte. Foi decretada por mim mesmo a tudo o que já não interessava. Enchi (até agora) 2 caixotes de lixo. Mas não o fiz de ânimo leve. À medida que folheava cadernos, veio-me um sentimento de desconforto, relacionado com a efemeridade das coisas. Ao percorrer actas de reuniões com assuntos que na altura eram confidenciais, de extrema importância não consegui deixar de pensar E agora? Ninguém se lembra disto. Tantas preocupações geradas, discussões tidas, e o que fica? Actas? O que é que isso interessa agora? É um sentimento um pouco estranho de tudo passa e muito pouco fica. Deu-me, por breves momentos, a vontade de largar tudo e ir construir algo que realmente perdure no tempo. A seu tempo Alex, a seu tempo. Tudo a seu tempo.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
um olhar, um sorriso e uma música no ar...
Lista 1 - Filmes estreados em Portugal em 2010 que vi em 2010 e têm grandes probabilidades de me acompanharem para sempre:
- Um Profeta (2009) - Jacques Audidard
- Das Weisse Band (2009) - Michel Haneke
- Lebanon (2010) - Samuel Maoz
- City of Life and Death (2010) - Lu Chuan
- The Time That Remains (2010) - Elia Suleiman
- El secreto de sus ojos (2009) - Juan Jose Campanella
- Go get some rosemary (2010) - Josh & Ben Safdie
- Toy Story 3 (2010) - Lee Unkrich
- Lola (2009) - Brillante Mendoza
- Filme do Desassossego (2010) - João Botelho
- Nostalgia de la luz (2010) - Patricio Guzman
- El Sicario: Room 164 (2010) - Gianfranco Rosi
- 24 city (2008) - Jia Zhang-Ke
- Fantastic Mr Fox (2010) - Wes Anderson
- Copie Conforme (2010) - Abbas Kiarostami
Lista 2 - Filmes de outros anos que vi em 2010 e com toda a certeza me acompanharão para sempre:
- Moon (2009) - Duncan Jones
- Tony Manero (2009) - Pablo Larrain
- A Streetcar Named Desire (1951) - Elia Kazan
- Aquele Querido Mês de Agosto (2008) - Miguel Gomes
- Belle de Jour (1967) - Luis Buñuel
- The Hurt Locker (2008) - Kathryn Bigelow
- Imitation of Life (1959) - Douglas Sirk
- The Man who Shot Liberty Valance (1962) - John Ford
- Amor Natural (1996) - Heddy Honigmann
- Sicília (1997) - Jean Marie Straub & Danielle Huillet
- Ladri di biciclette (1948) - Vittorio de Sica
- Aaltra (2004) - Gustave de Kervern; Benoît Delépine
- Johnny Guitar (1954) - Nicholas Ray
- Noite Escura (2004) - João Canijo
- On the Waterfront (1954) - Elia Kazan
Vou arder no inferno com tanta injustiça cometida, mas enfim...E de salientar que optei por não incluir na lista filmes de Woody Allen (4), Hitchcock (3), Scorsese (7) e Almodovar (2), simplesmente porque esses nem vale a pena referir são sempre uma maravilha....
Lista 3 - Álbuns de 2010 que tiveram uma dose de rodagem no iPod considerável:
- The National - High Violet
- Akron Family - Set'em Wild Set'em Free
- Arcade Fire - The Suburbs
- Titus Andronicus - The Monitor
- Best Coast - Crazy for You
- Wolf Parade - Expo86
- The Black Keys - Brothers
- Broken Social Scene - Forgiveness Rock Record
- Deerhunter - Halcyon Digest
- The Drums - Summertime! EP
- The Soft Pack - The Soft Pack
- Wavves - King of The Beach
Lista 4 - Álbuns de outros anos que também tiveram uma dose merecida de audição:
- Crocodiles - Summer of Hate
- Harlem - Hippies
- The Feelies - Crazy Rhythms
- Japandroids - Post-Nothing
- João Gilberto - Chega de Saudade
- Local Natives - Gorilla Manor
- Pavement - Crooked Rain, Crooked Rain
- Sean Riley & The Slowriders - Only Time Will Tell
- Yo La Tengo - And Then Nothing Turned Itself Inside-Out
Lista 5 - Factos interessantes ocorridos em 2010:
- Amanhecer do dia 22 de Julho e descobrir um tracinho na vertical.
- Estar no topo da montanha mais alta do planeta (Mauna Loa)
- Surfar no Hawaii (se bem que com más consequências...)
- Vista para a cratera do Haleakala
- Ver um caudal impressionante de água a correr pelas cataratas do Iguaçu
- Fim da paciência para festivais - Alive foi gota de água.
- 5 casamentos, dos quais responsável de música em 2. E ao que consta foram um sucesso!
- Caderneta de cromos do Mundial completa
- Nadal, Vettel e Mourinho no topo!
- Memorial do Convento e O Ano em que o Zumbi Tomou o Rio
- Joana Vasconcelos no CCB
- Desilusão completa com final do Lost, nunca mais quero saber nada dessa treta
- Mais uma excelente temporada de Curb Your Enthusiasm, com regresso do cast de Seinfeld
- Grandes concertos de Sonic Youth, Norberto Lobo, Yo La Tengo, Broken Social Scene, The Walkmen e Fanfarlo. Noutra área, a 5ª Sinfonia de Mahler, Chopin versão Mário Laginha Trio,e muito muito Mozart foram pontos altos no que a música diz respeito.
- Rui Vieira Nery em grande forma no curso História da Música
- Blog Altamont a crescer, com chegada das Festas Altamont!
- E sempre sempre, mas mesmo sempre: O dia a dia, o amor, tristezas, voltas por cima, os amigos de sempre, os novos amigos, a surpresa de encontrar tantas afinidades onde menos se espera, o nosso cantinho, o novo cantinho a caminho, casas remodeladas, muitas memórias, noitadas de conversa, vida bem passada, bem aproveitada, a correr.
um olhar...
Quase um mês sem nada aqui. Mas por bons motivos - fecho do mês, seguido de férias, depois Natal e agora vem lá Fim de Ano. Dezembro é mês complicado, mas não me vou esquivar ao que toda a gente faz e já está no forno um post com as highlights do meu ano. Mantenham-se atentos!
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
um olhar...
Queria aqui partilhar convosco uma ocorrência no meu pensamento esta semana. Como nem sempre temos pensamentos dos quais realmente tiramos algum sumo e ilações pertinentes, achei importante o facto de isso ter acontecido comigo desta vez e consequentemente aqui partilho.
Há cerca de 2 semanas, ao olhar pela janela que dá para a parte de trás do meu prédio vi dois edificios e fiquei com a sensação de que nunca tinha reparado neles. Após 4 anos ali a viver, como é que isso era possível? Estranho. Mas também não ia perder muito mais tempo a pensar nisso pelo que passou. 6ª feira passada, a jantar com uns vizinhos meus, "Então e já repararam que o edificio amarelo lá atrás foi à vida?" e só então caiu a ficha. Um prédio amarelo, de 6/7 andares que sempre ali esteve, para o qual olhei mil vezes, tinha sido demolido, abrindo campo de vista aos tais 2 edifícios que nunca tinha reparado. Ainda mais surpreendido fiquei com a possibilidade de por vezes, não vermos o que está mesmo à frente dos nossos olhos. E com este pensamento vos deixo para o fim de semana.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
um olhar...
...sobre a interessante peça "Durações de um Minuto", ainda em cena no São Luiz (mas já não dura muito...) e da qual sinopse retirei o texto de Gonçalo M. Tavares que transcrevo abaixo e que levanta uma questão muito relevante sobre a forma como absorvemos o mundo de informações que nos rodeia, desde pequenos.
SOBRE A APRENDIZAGEM E O TEMPO
GONÇALO M. TAVARES
- Compreendo que aos cinquenta anos se seja mais esperto do que aos vinte. Mas eu não sou mais esperto às oito da noite do que às oito da manhã.Robert Musil
Mas não. Ao contrário do que diz a personagem de Musil, se tudo correr bem no dia de hoje, seremos mais espertos às oito da noite do que às oito da manhã.
Porque a questão é simples, se uma pessoa se sente mais sensata, lúcida, se sente que é mais inteligente aos cinquenta anos do que era aos vinte, isso só pode ser efeito de um longo somatório de acontecimentos. Não é um milagre, uma revelação - mas um longo processo.
(O recorde de crescimento mais lento de uma árvore “pertence a uma espécime de espruce (Picea sitchensis) que necessitou de 98 anos para atingir 28 centímetros.”)
Diga-se ainda que, como muitas vezes parece acontecer, o próprio rosto pode revelar o percurso intelectual. (Um bom exercício é passear pelas ruas de uma cidade, observar os rostos e os gestos de uma pessoa qualquer, e tentar concluir se essa pessoa terá lido muito ou pouco. Há quem acredite que pelo rosto se vê a biblioteca pessoal.)
GONÇALO M. TAVARES
- Compreendo que aos cinquenta anos se seja mais esperto do que aos vinte. Mas eu não sou mais esperto às oito da noite do que às oito da manhã.Robert Musil
Mas não. Ao contrário do que diz a personagem de Musil, se tudo correr bem no dia de hoje, seremos mais espertos às oito da noite do que às oito da manhã.
Porque a questão é simples, se uma pessoa se sente mais sensata, lúcida, se sente que é mais inteligente aos cinquenta anos do que era aos vinte, isso só pode ser efeito de um longo somatório de acontecimentos. Não é um milagre, uma revelação - mas um longo processo.
(O recorde de crescimento mais lento de uma árvore “pertence a uma espécime de espruce (Picea sitchensis) que necessitou de 98 anos para atingir 28 centímetros.”)
Diga-se ainda que, como muitas vezes parece acontecer, o próprio rosto pode revelar o percurso intelectual. (Um bom exercício é passear pelas ruas de uma cidade, observar os rostos e os gestos de uma pessoa qualquer, e tentar concluir se essa pessoa terá lido muito ou pouco. Há quem acredite que pelo rosto se vê a biblioteca pessoal.)
Até podíamos, por isso, imaginar uma pessoa colocada diante do espelho, com um cronómetro ao seu lado, a observar o seu rosto, de minuto a minuto, tentando testemunhar as suas próprias alterações intelectuais. Poderemos, levando o absurdo até ao fim, pensar em alguém que abandonasse por completo a vida e as suas experiências, e que canalizasse toda a sua energia para a observação do processo no qual ela se torna uma pessoa mais inteligente. Ou, então, alguém que acompanha a leitura de um livro denso dirigindo-se, de hora a hora, ao espelho para confirmar a boa evolução da sua inteligência.
Mas podemos considerar duas teorias, e não apenas uma, que relacionam inteligência e tempo. Uma que acredita que minuto a minuto nos tornamos mais sensatos porque vimos, ouvimos, lemos e experimentámos mais mundo; e outra que, pelo contrário, veja o aumento da sensatez de um homem por saltos: grandes períodos de paragem (em que a inteligência e a maturidade se mantêm estáveis) e outros períodos curtos (uma espécie de revoluções) nos quais, em pouco tempo, se muda muito.
(O crescimento de uma árvore mais rápido que se conhece: o de uma Albizzia falcata plantada em 17 de Junho de 1974 em Sabah, Malásia. A sua média de crescimento foi de 10,74 metros em treze meses.)
De qualquer forma há, em qualquer das teorias que se considere, uma visão optimista. Esta utopia do progresso ininterrupto – amanhã o mundo será mais inteligente do que hoje/e para o ano eu serei mais lúcido - vê o tempo como uma coisa que, ao passar pelo corpo dos seres vivos, os faz melhores; como se o tempo fosse um funcionário que nos presta bons cuidados – alimenta, embala, e ensina.
No entanto - mesmo não pensando no envelhecimento - talvez o tempo não seja assim um professor tão bom (ou nós é que somos maus alunos) e as coisas se passem, afinal, como as descreve um poema de Rafael Alberti: “Eu era um tonto, e o que vi fez de mim dois tontos”. Depois de muito esforço, às oito da noite tornámo-nos mais estúpidos do que éramos às oito da manhã.
Crescer dez metros num ano ou crescer trinta centímetros em cem anos - eis duas medidas de crescimento no reino vegetal. Mas isso talvez seja um outro assunto.
Mas podemos considerar duas teorias, e não apenas uma, que relacionam inteligência e tempo. Uma que acredita que minuto a minuto nos tornamos mais sensatos porque vimos, ouvimos, lemos e experimentámos mais mundo; e outra que, pelo contrário, veja o aumento da sensatez de um homem por saltos: grandes períodos de paragem (em que a inteligência e a maturidade se mantêm estáveis) e outros períodos curtos (uma espécie de revoluções) nos quais, em pouco tempo, se muda muito.
(O crescimento de uma árvore mais rápido que se conhece: o de uma Albizzia falcata plantada em 17 de Junho de 1974 em Sabah, Malásia. A sua média de crescimento foi de 10,74 metros em treze meses.)
De qualquer forma há, em qualquer das teorias que se considere, uma visão optimista. Esta utopia do progresso ininterrupto – amanhã o mundo será mais inteligente do que hoje/e para o ano eu serei mais lúcido - vê o tempo como uma coisa que, ao passar pelo corpo dos seres vivos, os faz melhores; como se o tempo fosse um funcionário que nos presta bons cuidados – alimenta, embala, e ensina.
No entanto - mesmo não pensando no envelhecimento - talvez o tempo não seja assim um professor tão bom (ou nós é que somos maus alunos) e as coisas se passem, afinal, como as descreve um poema de Rafael Alberti: “Eu era um tonto, e o que vi fez de mim dois tontos”. Depois de muito esforço, às oito da noite tornámo-nos mais estúpidos do que éramos às oito da manhã.
Crescer dez metros num ano ou crescer trinta centímetros em cem anos - eis duas medidas de crescimento no reino vegetal. Mas isso talvez seja um outro assunto.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
um olhar...
Ando há dias a pensar em despejar para aqui as sensações causadas pelo visionamento de "Há Lodo no Cais" ("On the Waterfront" título original) mas ainda não consegui arranjar disponibilidade mental. Mas não me esqueço.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
um ohar...
E depois do post 1.000, nada como começar mais um milhar de posts com esta frase brilhante do brihante António Damásio: "Deus é uma maravilhosa invenção do cérebro humano". No fundo , o brilhantismo é isto - dizer grandes verdades da forma mais simples possível.
um olhar, um sorriso, uma música no ar x1000
Ora então cá está ele - o post 1.000. Para ser sincero, acho que nunca pensei aqui chegar. Foi um arranque difícil e cheio de incertezas, até transformar isto num hábito. E aí sim, a coisa pegou, e como que em ritmo piloto automático, dei por mim a sentir mesmo necessidade de escrever e partilhar. A maravilha que é o Calvin, as minhas experiências como DJ, músicas que me ficaram no ouvido, olhares do mundo por onde deambulo, as minhas reflexões, a vida a ser vivida, por mim. Para este post lembrei-me de fazer uma breve resenha do que tem sido esta experiência, mas cheguei à conclusão que é impossível meter num só post 4 anos e 3 meses de actividade quase sempre contínua. São cerca de 230 posts por ano, ou seja um post a cada dia e meio. Tanta informação, alguma mais relevante que outra, bem sei, mas não deixa de ser muita. Por isso a opção foi simplificar - deixar-vos com um olhar, um sorriso e uma música no ar. Porque no fundo, é disto que este blog trata. E continuará a tratar, até ver.
um olhar...
uma música no ar...
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
um olhar, um sorriso, uma música no ar...
Este é o post número 999 deste blog. O que me causa um certo problema, na medida em que o post 1.000 devia ser algo de extraordinário, sensacional, espectacular, estrondoso, e não me ocorre nada para causar esta montanha russa de emoções nos meus ávidos leitores. Mesmo nada... De qualquer forma o suspense está criado, mas temo não conseguir estar à altura das expectactivas que as vossas cabecinhas estão a conceber. Porque isto no fundo, e vendo bem, a culpa é vossa. Sim vossa e das vossas expectactivas loucas, vêm aqui ao blog e pensam que vou partilhar convosco todo o meu brilhantismo, toda a minha eloquência, toda a minha sabedoria, cultura, conhecimento. Mas quem é que vocês pensam que são? Acham-se com direitos, mas não sei quem vos deu a ideia que têm direitos! Por isto tudo, pensem bem na vossa postura antes de concluirem que têm direitos adquiridos sobre a minha pessoa. Acham que eu me preocupo muito com os vossos direitos? Acham? Sinceramente, era mesmo o que mais faltava. Fazer com que o meu blog dependesse dos vossos direitos ou da vossa vontade ou do raio que os parta. O blog é meu pá. Anda há 4 anos e 3 meses a carregá-lo nos braços sozinho, e vocês aí desse lado limitam-se a mandar um bitaitezinho de quando em vez, portanto ponham-se no vosso lugar antes que eu me chateie a sério. Para quem não sabe, sou escorpião. Sabem o que isso significa não sabem? Sou mau, mau como às cobras, mato o sapo que me transporta para o outro lado do rio ou lá o que é que a história conta. Bem o melhor é terminar a conversa por aqui antes que o caldo entorne. Cheira-me que estou para aqui a gastar o meu latim em vão e vocês continuam na vossa
- Está mas é calado e mete lá um post 1.000 como deve ser
que eu bem sei. A ver vamos.
A ver vamos.
A ver vamos.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
um olhar...
... debruçado sobre este artigo muito interessante que encontrei no Público com uma teoria que a meu ver faz sentido - o facto de a Internet estar a mudar a forma como o nosso cérebro funciona. Segundo alguns neurologistas, as coisas estão a complicar-se para os amantes da leitura. A Internet, a rápida e veloz Internet faz com que o nível de concentração elevada numa só tarefa tenda a desaparecer, à medida que nos vamos habituando a dividi-la:
"A leitura e a escrita são uma invenção e cada cérebro tem um circuito próprio, único, inventado pela linguagem em que essa pessoa lê, que é diferente consoante seja hebreu, chinês, coreano ou inglês", explica ao telefone Maryanne Wolf. "Esse circuito é diferente consoante a qualidade da aprendizagem. Se muita da leitura é feita online, num meio tão cheio de distracções como a Internet, a qualidade da leitura é afectada."Se passa grande parte do seu dia a trabalhar na Internet, a responder às solicitações típicas do online: refrescar o Twitter para seguir as actualizações das pessoas e sites que se acompanham, comunicar com os seus amigos no Facebook, responder às mensagens que lhe vão chegando na sua caixa de correio electrónico, enquanto escreve um texto, vê as notícias, vê um vídeo no YouTube, faz uma pesquisa... Se esse é o seu dia típico, perceberá talvez o que Carr quer dizer quando chama à Internet, "por concepção, um sistema de interrupções, uma máquina que funciona à base de dividir a atenção" de quem a utiliza."
Tenho sentido isto de uma forma assustadora, tenho tido grandes dificuldades em chegar à concentração desejada para ler um livro, há um esforço que tem que ser feito que dantes não era tão evidente. Ao mesmo tempo que vos escrevo este post, já respondi a 3 mails, adicionei 2 items ao meu carrinho de compras na amazon, adicionei 2 álbuns ao iTunes e distraí-me a avançar com o meu trabalho no excel. Isto diz tudo sobre a minha forma trabalhar, sempre atento a várias bolas ao mesmo tempo a ver se nenhuma cai ao chão, qual malabarista de circo. E penso que o mesmo se passa a nível da música, em que hoje saltitamos de banda e banda e não deixamos nenhuma dela amadurecer como merece.
Tenho sentido isto de uma forma assustadora, tenho tido grandes dificuldades em chegar à concentração desejada para ler um livro, há um esforço que tem que ser feito que dantes não era tão evidente. Ao mesmo tempo que vos escrevo este post, já respondi a 3 mails, adicionei 2 items ao meu carrinho de compras na amazon, adicionei 2 álbuns ao iTunes e distraí-me a avançar com o meu trabalho no excel. Isto diz tudo sobre a minha forma trabalhar, sempre atento a várias bolas ao mesmo tempo a ver se nenhuma cai ao chão, qual malabarista de circo. E penso que o mesmo se passa a nível da música, em que hoje saltitamos de banda e banda e não deixamos nenhuma dela amadurecer como merece.
Deixo abaixo mais algumas partes, mas leiam o artigo todo (link outra vez), se o vosso cérebro com certeza já afectado pela Internet vos permitir concentração até ao fim. Eu admito que não consegui ler todo de enfiada...
"Quando a quantidade de informação, o número de decisões que temos de tomar, todo o tipo de solicitações a que está sujeito o nosso sistema cognitivo se torna demasiado - como o proverbial copo que se encheu demasiado e começa a transbordar -, deixamos de conseguir reter informação, de conseguir fazer ligações entre os dados que já guardámos na nossa memória de longo de prazo. A nossa capacidade de compreensão torna-se superficial, deixamos de conseguir manter-nos atentos e focados. Transformamo-nos nas criaturas superficiais, saltitando de informação em informação, sem guardar nenhuma, sem relacionar as coisas entre si - navegamos, aborrecidos, como quando andamos pela Internet à procura de uma novidade que nos entretenha."
"A evolução programou-nos para corrermos sempre de um estímulo para o próximo, para querermos sempre mais. Isso acaba por ser contraproducente", diz Maryanne Wolf."
"A evolução programou-nos para corrermos sempre de um estímulo para o próximo, para querermos sempre mais. Isso acaba por ser contraproducente", diz Maryanne Wolf."
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
um olhar...
Começaram os dias difíceis do ano. Esta costuma ser uma das semanas mais difíceis para mim, derivado da alteração horária e do facto de passar a sair do trabalho já de noite. É uma dificil habituação que todos os anos tento amenizar, mas nunca consigo. É nestes momentos que penso para mim como seria impossível viver num qualquer país escandinavo, mergulhados que ficam nas trevas durante grande parte do dia...
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
um olhar...
Frases retidas do documentário com o qual se encerrou a saga Doclisboa 2010, "Tonite Let's All Make Love in London", de Peter Whitehead, de 1967:
"...as mulheres têm esse problema de quererem algo mais do sexo, uma relação de 3 meses pelo menos, enquanto os homens vivem bem com tê-lo só uma noite" (mais ou menos isto...).
Não foi por acaso que a década ficou conhecida como os swinging sixties para muitos londrinos, que neste item parecia estar mesmo mais à frente do resto do mundo. Mas de certa forma ainda comedido, as próprias mulheres ainda não se consideravam iguais aos homens, mas admitiam que o facto de já não terem de ser dependentes dos homens ajudou muito a este espírito mais liberto. Interessante documentário, também com fortes ligações à música que se fazia nessa época.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
um olhar, um sorriso e uma música no ar...
...tem uma nova imagem! Acho que era isto que a casa precisava, nada como um restyling para dar uma nova vida à coisa. Não é um restyling profissional, é uma mudança feita apenas por mim que disto pouco percebo, mas pronto, parece-me que ficou com um ar mais leve. Gostava muito mas mesmo muito que me desses a vossa opinião sobre a mudança aqui abaixo na caixinha dos comentários...
Enjoy!
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
um olhar...
Passado que está um mês sem nada ocorrer, quero apenas dizer que foi tudo pensado e premeditado - estava a precisar deste mês sabático para regressar em força às lides bloguísticas. Entretanto o Altamont tb foi remodelado e relançado, o Doclisboa ocupa grande parte do meu tempo pelo que a coisa em termos de disponibilidade não está famosa, mas prometo que a coisa vai agitar novamente. Um bem-haja a todos!
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
um olhar...
Este blog está com dificuldades de respirar, e inconsciente. Ao aproximar-me da vítima vejo que necessita urgentemente de ajuda. Alguém tem um desfibrilhador à mão?
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