quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

um olhar...

sobre uma resposta do António Lobo Antunes numa das suas entrevistas.

"...há, sim, um nexo afectivo qualquer que por vezes nos escapa. É como tudo na vida. Porque é que eu gosto de A e não gosto de B, porque é que sou amigo desta pessoa e não sou amigo daquela? A amizade, tal como o amor é uma coisa instantânea, absoluta. A gente conhece uma pessoa e de repente até ficamos amigos de infância, seja qual a for altura da nossa vida. Há uma lógica dos afectos e das emoções e que nada tem a ver com a lógica da filosofia que nos ensinaram na escola. É como os livros e os poemas, obedece a um outro tipo de lógica, uma meta-lógica e são máquinas de mover, no fundo. É impossível racionalizar sobre as emoções. Ou melhor, é possível fazê-lo à posteriori: uma pessoa tem esta ou aquela qualidade, mas não é por nada disso que se gosta de outra pessoa. É por algo que nos escapa. Os neurologistas dizem que é por causa dos cheiros, que é algo de inconsciente, como os animais, não sei… Tenho dois irmãos que são neurologistas e tenho lido muito sobre isso. Está provado que nós, humanos, somos atraídos por cheiros que nos são inconscientes, isso é que é o «sex-appeal»… Com os livros, provavelmente, é a mesma coisa, é também uma questão de cheiro."

É realmente impresssionante como às vezes conhecemos uma pessoa e a tratamos como se fosse uma amigo de infância, e outras que conhecemos e olhamos com maior desconfiança. Essa primeira impressão, essa empatia, é tão importante nas relações que se criam todos os dias. Mesmo que, como diz o Lobo Antunes, à posteriori consigamos identificar esta ou aquela qualidade/defeito, parece que há sempre mais qualquer coisa que nos liga a determinadas pessoas e nos faz distanciar de outras. Será o cheiro?

4 comentários:

  1. É claro que existe esse "cheiro". Não tenho qualquer dúvida.

    A chamada empatia entre as pessoas é uma coisa formidável e que adoro reparar, presenciar e viver.

    Tem de haver alguma coisa que nos distingue dos irracionais, ou não? :)

    Beijos! E um excelente 2008! :)

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  2. Claro que é o "cheiro" que nos atrai e repele!

    E TU CHEIRAS BEM!!!

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  3. O cheiro...
    Adoro cães e sempre achei que temos muito mais coisas que nos aproximam deles do que à partida parece. Sempre me intrigou como é que um cão que nunca nos viu, não sabe quem somos, simpatiza ou não connosco depois de nos cheirar. Como ele consegue perceber as nossas intenções para com ele (se lhe somos indiferente, se não gostamos ou gostamos de cães). E conseguem fazê-lo cheirando! (tenho algumas historias giras). E afinal talvez tenhamos "herdado" qq coisa. E o homem encontrou o cão! (é o titulo de um livro do Konrad Lorenz)

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  4. Não podia concordar mais com este post se é o cheiro ou não não sei mas que é verdade é, e como a sónia disse os cães detectam algo qdo conhecem alquem que os faz abanar o rabo a umas pessoas e rosnar a outras, eu tb sinto que tenho algo de cão em mim qdo conheço alguem e gosto raramente mudo de opinião! É a quimica que existe em cada um de nós e que libertamos ;)

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